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Site sem HTTPS: o aviso de “Não seguro” afasta o cliente

Site sem HTTPS: o aviso de “Não seguro” afasta o cliente

O aviso de “Não seguro” que o navegador mostra no seu site

Um visitante digita o endereço da sua empresa, a página começa a abrir e, ao lado do endereço, surge a palavra “Não seguro”. Ele ainda não leu uma linha do seu texto e já recebeu um alerta do próprio navegador.

Para quem depende do site para vender, esse primeiro segundo pesa. O dono do negócio costuma ver a própria página no computador do escritório, onde tudo parece normal, e não percebe o aviso que aparece para quem chega de fora. O visitante, esse sim, lê “Não seguro” antes de ver o preço, o portfólio ou o botão de contato.

Páginas trafegam por dois protocolos. O HTTP envia os dados em texto aberto, sem cifra. O HTTPS embaralha a conexão entre o navegador e o servidor, e é isso que o cadeado na barra de endereço representa. Quando o cadeado não aparece, o navegador entende que a página está desprotegida.

Desde julho de 2018, com o Chrome 68, o navegador passou a marcar toda página em HTTP como “Não seguro” na barra de endereço, segundo o anúncio da equipe de segurança do Google.

O navegador não avalia a qualidade da sua empresa nem o conteúdo da página. Ele checa uma coisa objetiva: a conexão está cifrada ou não. Um site institucional simples, sem loja e sem formulário, também recebe o aviso, porque a marca “Não seguro” olha para o protocolo, não para o que você vende.

Quanto o cadeado ausente custa em visitas e clientes

O aviso muda o comportamento de quem já chegou até você. A pessoa que ia pedir um orçamento ou digitar o número do cartão desiste antes de preencher qualquer campo. A dúvida que o navegador plantou pesa mais do que o seu texto de vendas.

O prejuízo aparece em pontos concretos:

  • Um visitante fecha a aba assim que lê “Não seguro” ao lado do endereço.
  • O formulário de orçamento fica em branco porque enviar dados parece arriscado.
  • A pessoa procura o mesmo produto num concorrente que exibe o cadeado.
  • Na busca, o site em HTTP compete em desvantagem contra páginas em HTTPS.

O último ponto tem data. Em agosto de 2014, o Google informou que passou a usar o HTTPS como sinal de ranqueamento, descrito por eles como um sinal leve, com peso menor do que o conteúdo. O certificado sozinho não coloca você em primeiro lugar, mas a falta dele soma um ponto contra em duas frentes: o cliente que recua e o buscador que compara.

Some a isso o celular. Grande parte das visitas hoje chega pelo telefone, onde a barra de endereço é estreita e a palavra “Não seguro” ocupa espaço de destaque, colada ao nome do seu site. O que no computador passa meio despercebido, na tela pequena aparece em primeiro plano.

Não dá para medir esse abandono só pelo faturamento, porque o cliente que recuou nunca entrou em contato para explicar o motivo. Ele apenas saiu. O aviso trabalha em silêncio, uma visita de cada vez.

Certificado SSL/TLS instalado e todo o site redirecionado para HTTPS

O cadeado volta quando o site serve tudo por HTTPS, e o caminho tem etapas claras. A primeira é instalar um certificado SSL/TLS no servidor. Ele não custa nada: o Let’s Encrypt, mantido pela ISRG, uma organização sem fins lucrativos, emite certificados gratuitos, e boa parte das hospedagens ativa esse recurso com poucos cliques.

Instalar resolve metade. A outra metade é redirecionar todo o tráfego de HTTP para HTTPS com um redirecionamento 301, para que endereços antigos, links salvos e resultados de busca cheguem sempre à versão com cadeado. Falta um detalhe que costuma passar batido: se a página em HTTPS ainda carrega uma imagem ou um script por HTTP, o navegador mostra a página como parcialmente segura e o cadeado some. Corrigir esse conteúdo misto fecha o problema.

O certificado tem prazo de validade e precisa ser renovado. O Let’s Encrypt renova de forma automática quando está bem configurado, e o vencimento precisa de acompanhamento para o cadeado não cair sem aviso.

Nada disso exige trocar o site inteiro. Na maioria dos casos, o certificado entra sobre a estrutura que já existe, e a diferença aparece na barra de endereço no mesmo dia.

Depois de tudo no ar, a checagem é simples. Abra o site pelo endereço com HTTP e observe se ele salta sozinho para o HTTPS. Clique no cadeado e confirme que o certificado está válido e dentro do prazo. Teste as páginas que mais recebem visita, em especial a de contato e a de orçamento, que são onde o cliente decide.

A conta cabe em uma linha. Se 100 pessoas visitam o site por dia e 5 recuam ao ler “Não seguro”, são 150 clientes perdidos por mês antes de qualquer conversa (números de exemplo). Colocar o certificado no ar e mantê-lo funcionando é parte do trabalho de otimização e manutenção de sites, e é o que separa o visitante que fica do que fecha a aba.