Abre o relatório de acesso numa segunda de manhã e o número de visitas vindas do Google está menor que na semana passada. Nada quebrou no site. O que mudou foi o Google. Foi exatamente isso que aconteceu, em escala grande, do outro lado do Atlântico: na terça-feira, 8 de setembro, a empresa reorganizou como mostra os resultados de busca na Europa e admitiu, em público, que negócios vão perder tráfego.
O Google reformou a busca na Europa e reconheceu perda de tráfego
A mudança foi obrigada por lei. Em julho, a União Europeia multou o Google em 460 milhões de euros por colocar os próprios serviços de compras, hotéis, transporte e esportes acima dos concorrentes nos resultados. Para não pagar mais, a empresa mudou o desenho da busca no bloco europeu a partir de 8 de setembro. Agora um serviço especializado aparece no topo, com rivais logo abaixo, e o carrossel de hotéis e passagens deixou de mostrar preço e disponibilidade em tempo real.
O que interessa a quem vive de site é o que o Google falou sobre o efeito disso. Segundo a empresa, a reformulação “piora a experiência de quem busca na Europa” ao empurrar intermediários na frente do negócio local, como noticiou a CNN Brasil. E foi além: afirma que ajustes anteriores exigidos pela mesma lei já derrubaram cerca de 30% do tráfego direto e gratuito de reservas que ela enviava a empresas europeias. O número é do próprio Google e não tem checagem independente. Mesmo assim, o recado é raro: a dona da busca dizendo que mexer nos resultados custa visita a quem depende dela.
No Brasil a busca segue igual, mas o alerta é para o seu site
Primeiro, o que não muda. Se o seu cliente está em Divinópolis ou em qualquer cidade brasileira, a busca dele continua a mesma esta semana. A reforma vale só para os países da União Europeia, e nem o Reino Unido entrou. Ninguém aqui precisa mexer no site por causa da lei europeia.
O que muda é a leitura. O Google acabou de mostrar, em público, duas coisas que todo dono de PME devia levar a sério. A primeira: os resultados da busca não são fixos. Eles mudam por pressão de regulador, por atualização de algoritmo, por uma nova caixa de resposta com inteligência artificial ocupando o topo da página. A segunda, e mais dura: quando esses resultados mudam, quem depende só deles sente no caixa. Quem colocou essa conta na mesa foi a própria empresa, não uma agência de marketing querendo vender serviço.
No Brasil o empurrão não vem de multa, vem de atualização. A cada poucos meses o Google roda uma mudança de algoritmo, e páginas que estavam bem posicionadas caem de um dia para o outro. Você não recebe aviso. Descobre na segunda, no relatório, quando a visita que sustentava o orçamento do mês encolheu sem explicação aparente.
Meça esta semana quanto do seu movimento depende só do Google
Dá para transformar esse alerta em uma tarefa curta, ainda esta semana. Abra o seu relatório de acesso, no Google Analytics ou no painel da sua plataforma, e olhe de onde vem cada visita. Separe o que chega pela busca orgânica do que chega direto, ou seja, quem digita o seu endereço ou clica num link salvo, e separe também o que vem das redes sociais e o que vem do WhatsApp. Se a busca orgânica sozinha responde por mais da metade do movimento, anote esse número: ele mede o seu risco.
Buscar espaço no Google faz sentido. Traz cliente barato e em volume, e é uma briga que vale a pena. O risco mora em parar por aí e não construir nada que seja seu. O que segura o negócio quando o algoritmo vira é o canal que você controla: o site que a pessoa salva e revisita, a lista de quem já comprou, o número de WhatsApp que ela guarda no celular, o e-mail que você dispara sem pedir licença a ninguém. Trate cada visita que entra pela busca como um contato a capturar, para conseguir voltar a falar com aquela pessoa mesmo que o Google mude de ideia amanhã.
Marque na agenda uma revisão do mesmo relatório daqui a trinta dias. Se a fatia da busca orgânica caiu e a fatia do tráfego direto subiu, você está saindo do terreno alugado. Se nada mudou, o plano da semana virou intenção, e essa é a hora de cobrar de si mesmo.
Quem tem site próprio sente menos quando o Google muda de ideia
A notícia da Europa é um lembrete barato de uma lição cara: o site que é seu é o único ativo digital que não muda de regra sem o seu aval. Se você não sabe hoje quanto do seu movimento depende do Google, comece por uma análise de SEO honesta, que mostra onde você aparece e onde some quando o algoritmo mexe. E se o que você chama de presença online ainda é só um perfil em rede social, considere um site próprio que receba essa visita e a transforme em cliente que volta. O Google vai continuar mudando. O seu site não precisa mudar junto.